quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Mostra de Ilustração dos alunos 2025: Um percurso de descobertas

  

    Ao percorrer a Mostra de Ilustração 2025, o convite é para a lentidão. Cada imagem exposta revela o resultado de quem explorou novas formas de contar histórias por meio de um processo intenso de experimentação com traços, cores e texturas. Nesse trajeto, nota-se o desabrochar de cada traço e a dedicação técnica colocada em todos os  detalhes das oficinas realizadas este ano.



    A exposição celebra diferentes maneiras de interpretar o universo dos livros para crianças, transformando o papel em um espaço para dar forma à imaginação. É, acima de tudo, um convite para olhar o mundo com a mesma curiosidade de uma criança, resgatando essa essência para criar narrativas visuais autênticas. O trabalho de Alessandra Tozi, com as colaboração administrativa de Vagner Custódio e a contação de histórias com Leandro Toporowicz, na Casa da Leitura Nair de Macedo, demonstra como a investigação artística traduz sentimentos em cada imagem.


  

Venha nos visitar!

LOCAL: Casa da Leitura Nair de Macedo

ENDEREÇO:  Rua da Capitania, 57 - Guabirotuba Regional Cajuru 

41 3296-3312 | E-MAIL: clnairmacedo@fcc.curitiba.pr.gov.br  com Vagner


Autores das belas imagens em sequência: Carlos Eduardo Fracaro F. Castagin; Anna Chaves; Luana Zbonik; Valentina Medroni; Poliana Almeida: Oriete Cavagnani.
 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Oficina de férias de Técnicas de Ilustração na Casa da Leitura Vladmir Kozák investiga a percepção infantil sobre o Cosmo


    No dia 12 de janeiro, o Centro Cultural Casa Kozák promoveu a oficina "Galáxia da Imaginação", ministrada por Alessandra Tozi com a colaboração administrativo de Vinícius Ziolkoski. Com a participação de 17 crianças, a atividade funcionou como uma investigação artística sobre como o público infantil compreende e visualiza o espaço sideral.


    A proposta central foi observar e estimular a interpretação das crianças sobre o universo. Utilizando painéis de madeira como suporte, os participantes exploraram a criação de planetas e galáxias através de gestos dinâmicos. A técnica de respingos, simulando estrelas, serviu para materializar as ideias e curiosidades que as crianças possuem sobre o que existe no cosmos.



    A oficina buscou entender a construção de histórias visuais a partir do imaginário de cada criança. Ao trabalharem em seus painéis de madeira, as crianças puderam expressar sua visão de mundo em um ambiente de socialização fora do contexto escolar, transformando o conhecimento abstrato sobre o espaço em produções artísticas concretas.

   

    Localizada na Rua Pe. Júlio Saavedra, a Casa da Leitura Vladimir Kozák segue com sua programação de férias, reafirmando-se como um espaço de experimentação e prática cultural na região.



Venha conhecer o nosso trabalho!

LOCAL: Casa de Leitura Vladimir Kozák

ENDEREÇO: Rua Padre Saavedra, 588 Bairro Uberaba - Regional Cajuru
com Vinicius

Autores das belas imagens em sequência: Bia, Miguel, Alice, Felipi, Guilherme e Sarah.

sábado, 27 de setembro de 2025

Exposição mostra processo criativo de ilustradora Gralha Azul


A mostra percorre o trabalho de Alessandra Tozi, desde os primeiros esboços até a finalização das ilustrações que dão origem ao livro inédito “Greta, a formiga”
Durante o mês de setembro, do dia 1º a 19, a Fundação Cultural de Curitiba apresenta – de forma gratuita e aberta ao público – a exposição “As imagens contam a história”, que revela todo o processo criativo das ilustrações que deram origem ao livro “Greta, a formiga”, ilustrado por Alessandra Tozi e escrito por Claudia Ines Romaniuk. A produção integrou a Biblioteca Gralha Azul em 2025, por meio do concurso literário destinado a mulheres residentes ou naturais de municípios do Paraná com população de 20 a 70 mil habitantes. 
Nesta exposição, a ilustradora Alessandra Tozi convida o público a percorrer o universo inventivo da obra, que mostra, desde os primeiros esboços até a finalização das imagens ilustradas: “ao lado de cada ilustração final, você encontrará o seu esboço original, um registro de momentos de criação de onde as ideias tomam forma. É um chamado para observar como se constroi uma narrativa visual que complementa a história”. 
Para a ilustradora, a realização da exposição é a confirmação de que seu trabalho está contribuindo para o desenvolvimento da leitura e da imaginação das crianças, um dos maiores propósitos de Alessandra como ilustradora. 
O objetivo da mostra, segundo Alessandra, é aproximar os estudantes e a comunidade da arte da ilustração. “A exposição foi montada no mesmo local onde ministro as Oficinas Sustentáveis de Técnicas Criativas de Ilustração para Livros Infantis. A parte mais recompensadora é ver as crianças e adultos que participam das oficinas explorando as imagens do livro”, conta.
“A escolha das cores é o momento que mais me agrada, pois foi o momento em que as ilustrações, que antes eram apenas traços, ganharam vida e personalidade”, destaca a ilustradora. Na mostra, os visitantes poderão observar cada processo, incluindo este, que para a ilustradora, é o mais expressivo do trabalho, pois transmite a paz e a harmonia de onde há vida natural, uma característica fundamental na história de Greta, a formiga.
Os visitantes podem conferir a exposição na Casa da Leitura Vladimir Kozák, localizada na Rua Pe. Júlio Saavedra, n° 588. Quem passar por lá, pode ainda concorrer em um sorteio a exemplares de outros títulos ilustrados por Alessandra Tozi. Além disso, será possível baixarem o e-book “Greta, a formiga” e o audiolivro por meio de um QR Code disponível no espaço, que acessa diretamente a Biblioteca Gralha Azul.
A mostra, que acontece na Casa da Leitura Vladimir Kozák até o dia 19 de setembro, também ficará disponível para visitação na Casa da Leitura Nair de Macedo do dia 1° a 20 de outubro, localizada na Rua da Capitania, n° 57. 

Publicação original: https://bibliotecagralhaazul.com.br/exposicao-mostra-processo-criativo-de-ilustradora-gralha-azul/

sábado, 19 de abril de 2025

Registro Botânico 4: Magnolia grandiflora

    Algumas plantas sempre chamam minha atenção. Elas se revelam aos poucos. A magnólia é assim: elegante, silenciosa, cheia de presença. Vale a pena ser descoberta com calma. Por isso, escolhi começar alguns esboços como um desafio, não apenas por sua beleza evidente, mas também pela complexidade delicada de sua estrutura.


  
  No canteiro cetral da Avenida Coronel Heráclito dos Santos, Jardim das Américas em Curitiba, caminho para o meu trabalho, há uma fileira de magnólias. Então, no final de março e começo de abril, notei que apareceu um tipo de fruto aveludado, com cores entre o rosado e o verde. Pesquisando no internet, descobri que se trata de um conjunto de folículos com aspecto semelhante a uma pinha. Coletei uma para desenhar e com isso conhece-la melhor. Após alguns dias, a estrutura  secou e se rompeu, liberando as sementes vermelhas que estavam em seu interior.


    Esse estudo da magnólia ainda está em andamento, mas já me ensinou algo. E acho que é isso que me fascina na ilustração científica: ela é, uma maneira de aprender a ver.

Registro Botânico N° 4: Estudos gerais

Magnólia (Magnolia grandilora)
Local: Avenida Coronel Heráclito dos Santos. Bairro Jardim das Américas, Curitiba Paraná

Estudo número 4: Técnica desenho lápis grafite em papel


domingo, 13 de outubro de 2024

A Complicada Arte de Ver

    Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles aneis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto." Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver". Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física. William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo. Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. "Não ser cego não basta para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram". Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção". A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que veem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo. Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas". Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"... 


Rubem Alves – Educador e escritor.